Classificação de vasos de pressão na NR-13: classe do fluido, grupo de risco e categorias I a V
A categoria do vaso de pressão define os prazos de inspeção e o nível de exigência da NR-13. Veja como cruzar a classe do fluido com o produto P·V e chegar à categoria certa.

Resposta rápida: a NR-13 classifica cada vaso de pressão em uma de cinco categorias (I a V). A categoria resulta do cruzamento de duas informações: a classe do fluido (A, B, C ou D) e o grupo de potencial de risco, calculado pelo produto da pressão máxima de operação pelo volume interno (P·V). Quanto mais perigoso o fluido e maior o P·V, menor o número da categoria e mais curtos os prazos de inspeção.
Quais vasos entram na NR-13
A norma se aplica aos vasos de pressão cujo produto P·V seja superior a 8, com P em kPa e V em m³, e a qualquer vaso que contenha fluido da classe A, independentemente do tamanho. Na prática, reservatórios de ar comprimido, autoclaves, trocadores de calor, separadores, vasos de processo e tanques pressurizados costumam estar dentro.
Passo 1: a classe do fluido
| Classe | Fluidos (exemplos) |
|---|---|
| A | Inflamáveis; combustíveis com temperatura igual ou superior a 200 °C; tóxicos com limite de tolerância de até 20 ppm; hidrogênio; acetileno |
| B | Combustíveis com temperatura inferior a 200 °C; tóxicos com limite de tolerância acima de 20 ppm |
| C | Vapor de água, gases asfixiantes simples e ar comprimido |
| D | Outros fluidos, como água |
Quando há mistura, vale a classe do fluido que oferece maior risco.
Passo 2: o grupo de potencial de risco
Multiplique a pressão máxima de operação em MPa pelo volume interno em m³:
- Grupo 1: P·V maior ou igual a 100
- Grupo 2: P·V de 30 a menos de 100
- Grupo 3: P·V de 2,5 a menos de 30
- Grupo 4: P·V de 1 a menos de 2,5
- Grupo 5: P·V menor que 1
Passo 3: cruzar e chegar à categoria
| Classe do fluido | Grupo 1 | Grupo 2 | Grupo 3 | Grupo 4 | Grupo 5 |
|---|---|---|---|---|---|
| A | I | I | II | III | III |
| B | I | II | III | IV | IV |
| C | I | II | III | IV | V |
| D | II | III | IV | V | V |

Exemplo: um reservatório de ar comprimido de 500 litros que opera a 10 bar (1 MPa) tem P·V = 1 × 0,5 = 0,5, grupo 5. Como ar comprimido é classe C, o vaso é categoria V. O mesmo volume com um gás inflamável seria categoria III.
Por que a categoria importa
É a categoria que define os prazos máximos das inspeções externa e interna, a exigência de projeto de instalação e o rigor da documentação. Um vaso categorizado para baixo fica com intervalos de inspeção longos demais e vira autuação na primeira fiscalização. Veja a tabela de prazos no artigo de quanto em quanto tempo inspecionar vasos de pressão e caldeiras.
Perguntas frequentes
Compressor de ar pequeno precisa de categoria?
Se o produto P·V do reservatório (P em kPa, V em m³) for superior a 8, sim. Um pulmão de 100 litros a 10 bar tem P·V = 1.000 × 0,1 = 100 e entra na norma.
Quem pode classificar o vaso de pressão?
O Profissional Habilitado, engenheiro com atribuição registrada no CREA, que assina a categorização e a registra no prontuário e na placa do equipamento.
A categoria pode mudar?
Sim. Mudança de fluido, de pressão de operação ou alteração do vaso exigem nova categorização e, em geral, inspeção extraordinária.
Publicado pela equipe técnica da AM Engenharia. Conteúdo informativo; a aplicação a cada caso depende de avaliação por profissional habilitado.
Continue lendo
Outros artigos.
Classificação de caldeiras na NR-13: categorias A e B e o que muda na prática
A NR-13 divide as caldeiras em duas categorias pela pressão de operação. Entenda o critério e como a categoria afeta inspeção, instalação, operação e documentação.
Ler artigoComo manter as inspeções em dia evita multas e interdições
A maioria das autuações de NR-13 não é por equipamento ruim, e sim por documento faltando ou prazo vencido. Veja o que a fiscalização confere e um checklist para não ser pego de surpresa.
Ler artigo